EM
CASA JAMAIS SE ESQUECIA DA FILHA QUE ESTAVA LONGE, por isso mantinha sempre contato com
as freiras e as donas do pensionato. Nunca se sentiu tranquila em relação à
distância. Procurava visitá-la em intervalos mais curtos, o que nem sempre era
possível, devido à falta de disponibilidade do marido para levá-la. Os afazeres
da casa e os cuidados com os outros filhos, que já nem davam mais tanto
trabalho, pois agora não dependiam tanto da mãe.
Marlúcia
já estava moça e também morava em Belo Horizonte, estava fazendo cursinho para
o vestibular. Pretendia fazer Odontologia e as vagas eram bastante concorridas.
Apesar de morarem na mesma cidade, ela sentia saudades da irmã, então, sempre
mandava cartinhas carinhosas para saber notícias de Marli.
Belo
Horizonte, 7 de janeiro de 1984.
Querida
Marli
Como
vai, tudo bem?
Espero
que você esteja com bastante saúde, alegria e cada vez mais bonitinha, tá? Eu
já estou com muitas saudades de você. E você também já está com saudades de
mim? Espero que esteja.
Marli
quero que você aproveite bastante suas férias, nade, pasei, brinque e nas horas
de folga faça um pouco de crochê, divirta bastante mesmo.
Vou
terminando com abraços e beijinhos para você.
De
quem muito te gosta, sua maninha:
Marlúcia.