segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

A Distância machuca...

EM CASA JAMAIS SE ESQUECIA DA FILHA QUE ESTAVA LONGE, por isso mantinha sempre contato com as freiras e as donas do pensionato. Nunca se sentiu tranquila em relação à distância. Procurava visitá-la em intervalos mais curtos, o que nem sempre era possível, devido à falta de disponibilidade do marido para levá-la. Os afazeres da casa e os cuidados com os outros filhos, que já nem davam mais tanto trabalho, pois agora não dependiam tanto da mãe.

Marlúcia já estava moça e também morava em Belo Horizonte, estava fazendo cursinho para o vestibular. Pretendia fazer Odontologia e as vagas eram bastante concorridas. Apesar de morarem na mesma cidade, ela sentia saudades da irmã, então, sempre mandava cartinhas carinhosas para saber notícias de Marli.

Belo Horizonte, 7 de janeiro de 1984.

Querida Marli

Como vai, tudo bem?
Espero que você esteja com bastante saúde, alegria e cada vez mais bonitinha, tá? Eu já estou com muitas saudades de você. E você também já está com saudades de mim? Espero que esteja.
Marli quero que você aproveite bastante suas férias, nade, pasei, brinque e nas horas de folga faça um pouco de crochê, divirta bastante mesmo.

Vou terminando com abraços e beijinhos para você.
De quem muito te gosta, sua maninha:

Marlúcia.