O ouvido humano é dividido
em três partes, cada uma com função distinta[1]:
O ouvido externo, que serve para coletar o som e levar, por um canal, ao ouvido
médio. O ouvido médio, que por sua vez transforma a energia de uma onda sonora
em vibrações internas da estrutura óssea do ouvido médio para, enfim, converter
estas vibrações em uma onda de compressão ao ouvido interno. E, finalmente, o
ouvido interno transforma a onda de compreensão em impulsos nervosos que podem
ser transmitidos ao cérebro através da cóclea, órgão em forma de caracol.
Rinaldi (1997) explica:
Os
três ossos do ouvido médio são os menores do corpo. Devido ao seu formato,
chamam-se: martelo, bigorna e estribo. Eles estão interligados de maneira que
as vibrações de um osso provocam vibrações no próximo osso da cadeia, levando
as ondas sonoras até o ouvido interno, onde são transformadas em impulsos
elétricos, que chegam ao cérebro através do nervo auditivo. [...] As vibrações
que as ondas sonoras causam no ar são convertidas em sinais elétricos na cóclea
do ouvido interno, onde penetram por uma membrana chamada janela oval e passam
para um canal cheio de líquido. Tudo isso tem mais ou menos o tamanho do dedo
mindinho e o formato de um caracol. O canal contém membranas com milhares de
terminações nervosas parecidas com cílios. É o chamado órgão de Corti. As
vibrações movimentam o líquido, que mexe os cílios e faz os nervos dispararem
sinais elétricos. Esses sinais são transmitidos ao cérebro por meio do nervo
auditivo. Vibrações mais fortes criam sons mais intensos. (RINALDI, 1997, p.
11, 12).
Fig. 5: Parte interna do
aparelho auditivo
Fonte: Site da
Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ)
Qualquer
lesão ou irregularidade em um desses três ouvidos afeta diretamente a
capacidade auditiva. Muitas pessoas desenvolvem esses problemas ao longo da
vida por causa de acidentes ou doenças. Outras, simplesmente nascem com surdez
devido a irregularidades durante a gestação. E ainda há quem a adquira devido à
incompatibilidade sanguínea entre os pais.
Tecnicamente a surdez é classificada
em leve, moderada, severa e profunda, podendo ser condutiva (ou
condutiva-perceptiva), que afeta o ouvido externo ou médio; neurossensorial ou
sensório-neural, envolve o ouvido interno ou o nervo auditivo; e mista, quando
o problema se localiza no ouvido médio e interno. Rinaldi (1997, p. 13)
exemplifica:
A
surdez condutiva faz perder o volume sonoro: é como tentar entender alguém que
fala muito baixo ou está muito longe. A surdez neurossensorial corta o volume
sonoro e também distorce os sons. Essa interpretação descoordenada de sons é um
sintoma típico de doenças do ouvido interno. [...] A surdez neurossensorial
pode se manifestar em qualquer idade, desde o pré-natal até a idade avançada. A
cóclea é um órgão muito sensível e vulnerável aos fatores genéticos, às doenças
infantis, aos sons muito altos e a alguns medicamentos. Muitos idosos também
sofrem de surdez neurossensorial. (RINALDI, 1997, p. 14)
As
causas[2]
são diversas e variam entre pré, neo e pós-natal. A gravidade dos danos à
audição acompanha a classificação da própria surdez (leve, moderada, severa e
profunda). Tudo depende do grau de comprometimento do aparelho auditivo ou
gravidade das lesões ou doenças, conforme descrito na tabela 3:
CAUSAS
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CARACTERÍSTICAS
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PRÉ-NATAL
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Surdez do tipo congênita, aquela que se pode constatar no ato do
nascimento. Adquirida através da mãe, durante a gestação.
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Hereditariedade
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É o processo biológico que permite a transmissão de informações
contidas no DNA e transmitida, de geração a geração, por meio dos genes. No
caso da surdez, as causas são endógenas ou exógenas. No primeiro caso, por
influência da consanguinidade, quando existe histórico familiar ou quando não
há compatibilidade sanguínea entre o pai e a mãe. No segundo, os fatores
hereditários não são a origem da deficiência e sim alterações provocadas (por
rubéola, por exemplo) no meio intrauterino.
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Rubéola
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Doença infecto-contagiosa causada por vírus (togavirus). A gestante é
contagiada através das vias aéreas e, por sua vez, transmite para o feto pela
placenta, por meio da corrente sanguínea. Em sua forma congênita causa surdez
e até mesmo cegueira na criança.
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toxoplasmose
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É contraída através do contato com fezes de gato ou ingestão de alimentos
mal cozidos e higienizados. Transmitida para o feto através da placenta.
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citomegalovírus
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Doença viral da família do Herpes.
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Herpes
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Herpes simples é doença sexualmente transmissível e pode ser
transmitida ao feto no útero ou durante o parto.
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Sífilis
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Também é doença sexualmente transmissível. Transmitida ao bebê pela
mãe através de infecção intrauterina.
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Medicamentos
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Algumas drogas como antibióticos e diuréticos, ingeridos pela
gestante, podem causar danos à audição do bebê.
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Traumatismos
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Traumas obstétricos, como escoriações, cortes ou hematomas.
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Malformações
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Anomalia na constituição de algum órgão. A malformação aparece como
consequência das causas acima.
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NEO-NATAL
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Surdez em recém-nascidos, adquirida até oito dias após o parto. A criança
fica surda por causa problemas que surgem durante o parto.
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Eristoblastose fetal
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Destruição das hemácias pelo soro materno devido à incompatibilidade
sanguínea – fator RH.
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Prematuridade
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Quando o bebê nasce antes de completar as 37 semanas de gestação. O
organismo é mais frágil, pouco peso, as orelhas são finas e moles, podendo
haver malformação do ouvido.
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Fórceps[3]
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Aparelho em formato parecido com uma colher, usado durante partos
naturais (via vaginal) em caso de urgência, desgaste da mãe ou sofrimento do
feto[i].
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Icterícia
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É causada pelo
excesso de bilirrubina no sangue, deixa a pele e o branco dos olhos
amarelados. A bilirrubina é um pigmento gerado pelo metabolismo das células
vermelhas do sangue. A criança apresenta os sintomas da icterícia quando a
formação de bilirrubina é maior do que a capacidade do seu fígado de
metabolizá-la. A doença se manifesta por volta do segundo, terceiro dia de
vida.
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PÓS-NATAL
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Todo o tempo depois do parto. Alterações do ouvido interno e das vias
nervosas auditivas advindas nesse período são denominadas disacusias
neurossensoriais e podem afetar um ou ambos os ouvidos. A surdez, nesse caso,
é severa ou profunda. Porém, também pode ocorrer a surdez condutiva, ou do
ouvido médio, causada por otites, bloqueio da trompa de Eustáquio ou corpo
estranho no canal auditivo externo. Essa última é leve e reversível, podendo
ser tratada facilmente.
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Otites
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Termo médico para todo tipo de infecção no ouvido. Pode ser aguda ou
crônica. Afeta o ouvido externo ou o médio.
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Parotidites
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Tumor de parótida ou tumor nas glândulas salivares. A infecção é
causada pelo vírus da caxumba e, frequentemente, resulta em manifestações
discretas ou é assintomática. È contagiosa e predomina o crescimento no
número de casos na primavera e inverno. Pode levar à surdez transitória ou
permanente em um para 20 mil casos, usualmente de início brusco e unilateral
em cerca de 80% das vezes.
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Sarampo
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É uma doença infectocontagiosa
provocada por vírus (Morbili
vírus) e transmitida através de espirros e tosse. Os sintomas são: manchas vermelhas na pele,
febre, tosse, mal-estar, conjuntivite, coriza, perda do
apetite e manchas brancas na parte interna das bochechas (exantema de
Koplik). Leva até doze dias
entre o contágio e o aparecimento dos sintomas, porém a doença pode ser
transmitida também nesse período. Entre as complicações graves do sarampo
estão otite, pneumonia, encefalite. Quando leva a uma infecção no
ouvido médio, pode danificar a cóclea.
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Meningite
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Inflamação das meninges (membrana que envolve o cérebro) causada por
bactérias ou vírus (pneumococo ou meningococo, por exemplo), é contagiosa,
sendo que a bacteriana é a mais grave. Há uma produção de pus que espalha a
doença por todo o sistema nervoso central. Atinge a garganta, o nariz e os
ouvidos, pode destruir o órgão de Corti e o nervo auditivo. Os sintomas são:
dor de cabeça, vômitos, rigidez da nuca, prostração e febre alta. Há dois
grupos de maior risco: recém-nascidos e idosos.
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Ototóxicos
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São agentes químicos que lesam o nervo auditivo. Os principais são:
monóxido de carbono, mercúrio, tabaco, ouro, arsênico, álcool. Em adultos a
aspirina, o quinino e os diuréticos são as únicas drogas que causam perdas
auditivas temporárias, passíveis de recuperação quando se retira a medicação.
Os efeitos são amplos e atingem todas as faixas etárias.
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Traumatismo Craniano
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Pancada forte na cabeça pode causar o traumatismo craniano. Os
sintomas são: desmaio, tontura, irritabilidade, perda de memória, entre
outros. Uma das possíveis consequências pode ser a surdez súbita, que pode
variar de leve a severa.
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Quadro 3: Fatores que causam a surdez
[1]
Informações e imagem retiradas do texto “O ouvido humano” de Bertulani, para o
site da Universidade do Rio de Janeiro.
[2]
Informações retiradas do artigo sobre “Deficiência auditiva na criança” do
acervo da Revista Brasileira de Otorrinolaringologia.


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